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Soneto I
por António Lobo de Carvalho

Ao Paca do Rio de Janeiro, indo de Lisboa são, do muito gálico que trouxe

Putaria do sul, gentinha fraca,
Convosco falo, cagaçais do Rio;
Que vendo ao longe as vergas de um navio
Altos vivas cantais ao vosso Paca:

Não tarda muito, vai numa sumaca
Que em horror do pirata e do gentio,
No tope leva um piçalhão de brio,
Que o vento açouta ao modo da matraca:

Vista a senha, rapai todas a crica,
Que o duro batedor, que nunca enjoa,
Lá no signo de virgo em terra fica:

Que para esfrega de uma moça boa
Sararam-lhe os colhões e cresceu-lhe a pica
Por milagre das deusas de Lisboa.

A vila de Guimarães, que é a pátria do amor

Olha tu, Guimarães, das cortes velhas
Nenhuma a primazia te disputa;
Ainda que baixa, és terrinha enxuta,
Onde são bem chuchadas as botelhas:

Panelas, socos, nabos e cemelhas
Do país foram sempre a melhor fruta;
Só dos dois animais o frade, e a puta,
Podas ter de alquiler três mil parelhas!

Daí vêm os heróis de marca e selo,
Que indo as honras buscar ao chão acima,
Acabam laureados de capelo:

Assim Jove imortal, que os bons estima,
Te ponha a mesma mão pelo cabelo,
Que pôs há tempos em Calhau de Lima.

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