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Soneto (Gênio das Trevas...)
por Augusto dos Anjos

Gênio das trevas lúgubres, acolhe-me,

Leva-me o espírito dessa luz que mata,

E a alma me ofusca e o peito me maltrata,

E o viver calmo e sossegado tolhe-me!


Leva-me, obumbra-me em teu seio, acolhe-me

N'asa da Morte redentora, e á ingrata

Luz deste mundo em breve me arrebata

E num pailium de tênebras recolhe-me!


Aqui há muita luz e muita aurora,

Há perfumes d'amor - venenos d'alma -

E eu busco a plaga onde o repouso mora,


E as trevas moram, e, onde d'água raso

O olhar não trago, nem me turba a calma

A aurora deste amor que é o meu ocaso!

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