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O Pântano
por Augusto dos Anjos

Podem vê-lo, sem dor, meus semelhantes!...

Mas, para mim que a Natureza escuto,

Este pântano é o túmulo absoluto,

De todas as grandezas começantes!


Larvas desconhecidas de gigantes

Sobre o seu leito de peçonha e luto

Dormem tranqüilamente o sono bruto

Dos superorganismos ainda infantes!


Em sua estagnação arde uma raça,

Tragicamente, á espera de quem passa

Para abrir-lhe, às escâncaras, a porta...


E eu sinto a angústia dessa raça ardente

Condenada a esperar perpetuamente

No universo esmagado da água morta!

(Outras Poesias, 6)

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