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O Último Número
por Augusto dos Anjos


Hora da minha morte. Hirta, ao meu lado,

A Idéia estertorava-se... No fundo

Do meu entendimento moribundo

Jazia o último Número cansado.


Era de vê-lo, imóvel, resignado,

Tragicamente de si mesmo oriundo,

Fora da sucessão, estranho ao mundo,

Com o reflexo fúnebre do Incriado:


Bradei: - Que fazes ainda no meu crânio?

E o Último Número, atro e subterrâneo,

Parecia dizer-me: "E tarde, amigo!


Pois que a minha antogênica Grandeza

Nunca vibrou em tua língua presa,

Não te abandono mais! Morro contigo!"

(Outras Poesias, 46)

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