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Medalha Antiga
por Olavo Bilac

(Leconte de Lisle.)

Este, sim! viverá por séculos e séculos,
Vencendo o olvido. Soube a sua mão deixar,
Ondeando no negror do ônix polido e rútilo,
A alva espuma do mar.

Ao sol, bela e radiosa, o olhar surpreso e extático,
Vê-se Kypre, à feição de uma jovem princesa,
Molemente emergir à flor da face trêmula
Da líquida turquesa.


Nua a deusa, nadando, a onda dos seios túmidos
Leva diante de si, amorosa e sensual:
E a onda mansa do mar borda de argênteos flóculos
Seu pescoço imortal.

Livre das fitas, solto em quedas de ouro, espalha-se
Gotejante o cabelo: e seu corpo encantado
Brilha nas águas, como, entre violetas úmidas,
Um lírio imaculado.

E nada, e folga, enquanto as barbatanas ásperas
E as fulvas caudas no ar batendo, e em derredor
Turvando o Oceano, em grupo os delfins atropelam-se,
Para a fitar melhor.