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Alucinação à Beira-Mar
por Augusto dos Anjos


Um medo de morrer meus pés esfriava.

Noite alta. Ante o telúrico recorte,

Na diuturna discórdia, a equórea coorte

Atordoadoramente ribombava!


Eu, ególatra céptico, cismava

Em meu destino!...0 vento estava forte

E aquela matemática da Morte

Com os seus números negros, me assombrava!


Mas a alga usufrutuária dos oceanos

E os malacopterígios subraquianos

Que um castigo de espécie emudeceu,


No eterno horror das convulsões marítimas

Pareciam também corpos de vítimas

Condenados à Morte, assim como eu!

(Eu, 44)

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