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Aberração
por Augusto dos Anjos

Na velhice automática e na infância,

(Hoje, ontem, amanhã e em qualquer era)

Minha hibridez é a súmula sincera

Das defectividades da Substância:


Criando na alma a estesia abstrusa da ânsia,

Como Belerofonte com a Quimera

Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera

E acho odor de cadáver na fragância!


Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto

De anomalias lúgubres. Existo

Como a cancro, a exigir que os sãos enfermem...


Teço a infâmia; urdo o crime; engendro o lodo

E nas mudanças do Universo todo

Deixo inscrita a memória do meu gérmen!


(Outras Poesias, 25)

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