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A Nau
por Augusto dos Anjos

Sôfrega, alçando o hirto esporão guerreiro,

Zarpa. A íngreme cordoalha úmida fica...

Lambe-lhe a quilha a espúmea onda impudica

E ébrios tritões, babando, haurem-lhe o cheiro!


Na glauca artéria equórea ou no estaleiro

Ergue a alta mastreação, que o Éter indica,

E estende os braços da madeira rica

Para as populações do mundo inteiro!


Aguarda-a ampla reentrância de angra horrenda,

Pára e, a amarra agarrada à âncora, sonha!

Mágoas, se as tem, subjugue-as ou disfarce-as...


E não haver uma alma que lhe entenda

A angustia transoceânica medonha

No rangido de todas as enxárcias!

(Outras Poesias, 39)

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