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A Esfinge

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A Esfinge (Édipo II)
por Olavo Bilac

"Bem-vindo sejas à cidade de Cadmo,
nosso libertador e nosso rei, que, com
a tua penetração de espírito e o auxílio
divino, levantaste o tributo de sangue
que pagávamos à cruel Esfinge!"

(SÓFOCLES - Édipo Rei.)


Perto de Tebas, junto a um monte, sobre o Ismeno,
Águia e mulher, serpente e abutre, deusa e harpia,
Tapando a estrada, à espera, - aterrava e sorria
O monstro sedutor, horrível e sereno:

"Devoro-te, ou decifra!" Era fascínio o aceno;
A voz, morna e sensual, tinha afeto e ironia,
Graça e repulsa; e a luz dos olhos escorria
Fluido filtro, estilando um pérfido veneno.


Mas Édipo desvenda o enigma... Ruge em fúria
O Grifo, e escarva o chão, bate contra o rochedo,
Rola em vascas, em sangue ardente a areia tinge,


E fita o campeador no uivar da extrema injúria.
E o Herói recua, vendo, entre esperança e medo,
Rancor e compaixão no verde olhar da Esfinge.

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